Defensor pede liberdade de padrasto de Danilo e questiona apuração feita por policiais acusados de tortura

Após a prisão de José Roberto Morais, acusado de tentativa de homicídio, estupro de vulnerável, lesão corporal, cárcere privado e sequestro no ano de 2010 contra sua companheira (à época) e também contra sua enteada de 11 anos de idade, a Defensoria Pública de Arapiraca, pediu nesta segunda-feira, dia 11, a liberdade do suspeito.

Conforme o defensor público Marcos Freire, “a liberdade dele não afetará a ordem pública, nem a aplicação da lei penal ou instrução criminal”, pois, segundo ele “os fatos ocorreram há 10 anos, só vindo à tona agora”.

Os fatos “foram apurados pelos mesmos policiais acusados de torturá-lo, e não pela Delegacia de Arapiraca onde supostamente aconteceram e o pedido de prisão se baseou no fato de que ele poderia fugir, mas ele foi encontrado 39 minutos depois do mandado expedido na casa da genitora dele. Logo entendo que não existem os requisitos da prisão preventiva”, explicou o defensor.

Questionado sobre se haveria algum motivo “pessoal” por parte dos delegados para efetuar a prisão do acusado de estupro e outros crimes, Marcos Freire se limitou a dizer que “o procedimento não está adequado”.

O caso

Durante operação policial com a finalidade de dar cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pelo Juiz Alexandre Machado, do Juizado de Violência Doméstica Contra Mulher de Arapiraca os delegados Bruno Emílio, Eduardo Mero, Fabio Costa e Thiago Prado, José Roberto Morais foi preso.

Durante as investigações da comissão designada para investigar o homicídio de Danilo Almeida Campos, se sete anos, ocorrido no dia 12 de outubro de 2019 no bairro Clima Bom em Maceió, chegou ao conhecimento das equipes policiais, a informação de que o padrasto da vítima, Jose Roberto de Morais, há alguns anos, na cidade de Arapiraca, teria abusado sexualmente de sua enteada, e depois fugiu da cidade, sendo reconhecido por populares através de reportagens veiculadas na imprensa sobre o homicídio de Danilo.

A denúncia foi verificada e  informações formalizadas junto à delegada Daniela Alves, titular da delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Mulher de Arapiraca.

Durante depoimento, mãe e filha relataram que vivam em cárcere privado no interior da residência em total subordinação a Jose Roberto de Morais, sendo agredidas verbalmente e fisicamente. O suspeito tinha uma oficina de conserto de bicicletas e a obrigava (a enteada, criança à época) a trabalhar na oficina e em várias oportunidades testemunhas presenciaram Jose Roberto acariciando a criança na oficina e a beijando a criança na boca. Mãe e filha só conseguiram fugir por que foram escondidas por vizinhos e receberam abrigo deles até que fossem resgatadas por um familiar.

A ex-esposa disse que Roberto tentou esganá-la e empurrou a sua cabeça dentro do vaso sanitário por algumas vezes. A ex-enteada, hoje maior de idade, confirmou os crimes perpetrados por Roberto, inclusive o abuso sexual. De acordo com a vítima, “Roberto se masturbava constantemente diante dela e também a acariciava e pedia que a menina acariciasse os seus órgãos genitais”. Em outras oportunidades, ocorria o estupro propriamente dito. Disse que ele se comportava como um monstro e decidiu fugir com sua mãe por que perceberam que mais cedo ou mais tarde seriam assassinadas por Roberto.

José Roberto foi conduzido para a DHPP e ao ser perguntado sobre os fatos que lhe foram imputados, confirmou que manteve esse relacionamento em Arapiraca e que de fato coabitou com uma criança durante alguns anos, no entanto, não confessou o estupro.

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